Segunda-feira, 20 de Julho de 2009

Ainda sobre o silêncio


Sempre falo nas aulas de redação publicitária III que os roteiros devem ter indicação de trilha. Uma cena em uma rua movimentada, onde acontece um diálogo, deve ter uma trilha. Uma música ou algum efeito, ruído, barulho, sei lá, em segundo plano. Nesta cena, o silêncio seria mero esquecimento do redator quanto à indicação da trilha.

O verdadeiro silêncio é intencional. É inerente à situação. O silêncio é a trilha do vácuo.

Falou muito há uma semana na chegada do homem na Lua. Naquele dia, eu estava lá, na frente da TV, assistindo ao vivo e sem cores. (sim há exatos 40 anos. sim, eu tinha 10 anos). E o silêncio fazia parte do cenário. A Lua, a tão sonhada e cantada Lua, era um belo e misterioso deserto silencioso.

Um silêncio que foi quebrado pelas palavras do Armstrong, que falou algo pronto, sobre passos pequenos de um grande avanço da humanidade. Mas, eliminando-se a frase feita e pontuada pela antítese de efeito, o silêncio estava lá. Envolvente, absoluto, lunar.

É este silêncio completo que não sou mais capaz de ouvir. Talvez já tenha falado aqui sobre este zumbido que me acompanha nas horas acordadas da vida. Um zumbido linear, monótono, sem graça. E cansativo.

Queria escutar de novo o silêncio. Queria ir pra Lua pelo menos uma vez. Desceria da nave sem frases prontas, sem jogos de palavras. Sem dizer nada. E sem escutar nada.

Na Lua, os redatores esquecem de indicar a trilha.

Domingo, 19 de Julho de 2009

O silêncio

Uma semana sem escrever um post. Ou mais. Ou um pouco menos. Não parei pra fazer as contas de quantos dias este blog ficou em silêncio. Durante todo este tempo só o eco das palavras já ditas. Bem ditas? Mal ditas? Não sei e nem quero saber.

Raras vezes visitei meu blog apenas para ler minhas frases passadas. Pra falar a verdade, acho que foram duas vezes apenas. Li meus primeiros posts. Gostei do que li. Não pelo estilo, pelo jogo de palavras ou pelas mensagens. Nada disso. Gostei porque eu estava estreiando uma nova (para mim) maneira de escrever. Mais solta, mais minha, mais descompromissada com o leitor.

Bem diferente de escrever um anúncio onde tudo é voltado para quem lê. Sempre encarei meu blog (viram o pronome possessivo ali?) como um instrumento a serviço do meu (de novo!) prazer de escrever.

Aliás (sempre quis usar esta palavra em alguma frase), no primeiro post falei exatamente isso: escreveria aqui o que eu desejasse, afinal era a primeira vez que escrevia sem briefings ou encomendas. E gostei tanto de escrever os posts que não parei mais.

Ou melhor, parei uma semana atrás. Mas, agora, retomo o blog, mesmo sem assunto. Na verdade, pretendia escrever sobre o silêncio. Sobre como o silêncio comunica. Como o silêncio passa suas diversas mensagens.

Mistério. Suspense. Emoção. Êxtase. Solidao. Ausencia.

Paro por aqui porque o teclado nao esta mais colocando acentos nas palavras. E silencio tem circunflexo.

Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

Leite Derramado. O post completo.

Já que deu problemas técnicos com meu post lá no blog DeCabeceira, reproduzo aqui o post completo falando sobre o livro Leite Derramado.

"Escrevi aqui, outro dia, que estava lendo Leite Derramado, de Chico Buarque. Terminei já há alguns dias. Por que não escrevi este post antes? Falta de tempo e também de assunto. Não sabia o que dizer sobre o livro. Se gostei. Se não gostei. Enquanto pensava, lia outro livro. Mais um do Scott Turow, mas isso é assunto pra outro post.
Sobre o Leite Derramado, que eu não sabia se estava gostando ou não, agora confesso: gostei.
Chico, já li e ouvi tanto dele que posso cometer essa intimidade de tratamento, descreve as memórias de um homem centenário que faz um “review” (o termo é meu) da sua vida e da história da sua família.
O livro é um monólogo dirigido a quem quiser escutar: sua filha, as enfermeiras ou a você (no caso, eu). E no seu monólogo, às vezes delirante, ele faz desfilar toda a história decadente da sua família – e da própria aristocracia brasileira – ao longo dos anos.
Assim, de página em página, vamos sendo apresentados a uma decadência social e econômica, entrelaçada à história desse nosso país.
Na verdade, o livro é uma saga, ou minissaga (ou será mini-saga???) já que o romance inteiro não tem mais do que 200 páginas. E traz uma história embaralhada cronologicamente, afinal trata-se da memória de um velho de 100 anos.
E este é o aspecto criativo no livro do Chico Buarque. Um discurso meio desarticulado, por isso, curioso. E criativo. A gente chega a se sentir neto daquele velhinho ex-burguês e solitário no leito de um hospital público.
Trat-se de um monólogo, mas não é chato como a maioria deles. Chico (já estou íntimo) consegue criar imagens fortes e nítidas com sua prosa elegante e fluente. Ele descreve pessoas que, de tão detalhadas, tornam-se visíveis aos olhos do leitor. Duvido que alguém que leu o livro não tenha na frente dos olhos a exuberante figura de Matilde.
Bem, já escrevi muito. Se você se interessou pela história, vale a pena conferir. Não é nenhum Budapest, mas é um belo Brastemp."

Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

Leite Derramado de Chico Buarque. Vale a pena ler?



O livro de Chico traz um monólogo de um velhinho centenário no leito de um hospital público. Um monólogo dirigido a quem quiser escutar: sua filha, as enfermeiras ou a você (no caso, eu). E no seu discurso, às vezes delirante, ele faz desfilar toda a história decadente da sua família – e da própria aristocracia brasileira – ao longo dos anos.

Quer saber mais sobre o livro? Dê uma conferida lá no blog DeCabeceira, onde publiquei um post-crítica sobre o livro.

Vale a pena ler. O post? O livro? Vc decide.


Terça-feira, 7 de Julho de 2009

Cheio de assuntos. Vazio de ideias.



Sabe aqueles dias em que você quer fazer tudo, mas não sabe como começar?

Aqueles dias em que você fica olhando pro teclado e não se decide em qual tecla vai bater primeiro. Aqueles em que você pensa em todos os assuntos ao mesmo tempo e, por isso mesmo, não consegue chegar a conclusão alguma.

Pois é. E você pensa em MJackson, Chacrinha e Sérgio Malandro. Pensa em Marcelo Tas, São Pedro e Dom Pedro. Pensa na Rainha Louca, na orelha de Van Gogh e Mané Garrincha.

Você está cheio de assuntos, todos os assuntos, menos o seu assunto.

Criar propaganda sem um briefing definido é mais ou menos assim. Você pode pensar em tudo, e tudo parece ser solução. Qualquer idéia mirabolante parece resolver o problema, porque, na verdade, você nem sabe muito bem qual é o problema.

Definir a pergunta é fundamental para se encontrar a resposta.

Por isso, na próxima vez em que você for criar um anúncio, um cartaz ou uma campanha, comece escrevendo na página em branco o problema que você deve resolver.

E se concentre nele. O resto é consequência. Simples assim.

Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

Questão de Foco

Ter um foco, manter o foco. Tudo isso sempre foi importante demais. Hoje mais do que sempre. Vc trabalha conectado. Vc estuda conectado. Vc conversa conectado. E esta conexão é com o mundo. Ou melhor, com um universo de assuntos, temas, pessoas. E universo, vc aprendeu lá no colégio, é infinito.

Então, a gente acaba ficando a mercê de todos estes impulsos e informações. E o foco naquilo que você estava, ou deveria estar, fazendo? Em qual das janelas ele se perdeu?

Dá-lhe Twitter. Dá-lhe Skype. Dá-lhe MSN. Dá-lhe Orkut. Dá-lhe e-mail.

Não estou aqui querendo dizer que todas estas poderosas e valiosas ferramentas são do mal. Nada disso.

Quero apenas dizer que não dá para perder o foco.

Com foco vc produz mais. Com foco vc aprende mais.

Se é hora de Twitter, foco no Twitter. Se é hora de ler e responder e-mails, foco nos e-mails. Se é hora de conversar ao vivo (lembra como é?) foco na pessoa.

Não faça como aquele diretor de agência que te chama pra reunião e fica monossilábico com vc, enquanto lê e responde e-mails. Sem ao menos olhar pra vc.

E, finalmente, na hora de criar foco total no briefing. Ali é que estão as soluções.

Tudo é questão de foco. Simples assim.





Terça-feira, 30 de Junho de 2009

Vc já leu uma entrevista com Deus?



Se você gosta de propaganda, não pode perder. Se você gosta de redação publicitária, não pode deixar de conferir. Se você gosta de textos inteligentes, não pode deixar de acessar. Amanhã, quarta, tem entrevista com Eugenio Mohallem no site criacaocatarinense.com.br

Quem é Eugenio Mohallem? Tudo o que desejo ser na minha próxima encarnação. Se existe justiça neste universo, todo redator deve ter oportunidade de ser Mohallem por um dia.

A Internet não pode esquecer as pessoas

A comunicação na Internet, tão jovem, já está sofrendo um sério risco. Um perigo que a própria propaganda já enfrenta há muitos anos.

Falo da autoalimentação, ou seja, buscar referências apenas nela mesmo. Explico: fala-se tanto em Orkuts, Twitters, Blogs, Flickers e outras mídias sociais, que se corre o risco de falar, falar e pouco fazer.

Este sempre foi o erro de muitos publicitários e suas agências convencionais. A propaganda alimentada pela propaganda. Comercial servindo de matéria-prima para comercial.

A Internet pode estar tomando este rumo. Estamos tão encantados com a web e suas possibilidades que podemos acabar esquecendo todo o resto.

É preciso ter muito claro e presente que a maior referência é a vida, são as pessoas. É preciso levantar os olhos e enxergar além do monitor.

Claro que é válida toda esta troca de informações e estudos sobre a Internet e suas ferramentas. Mas não perder de vista as pessoas é vital. Simples assim.


Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

Duas profissões. Dois prazeres. Dois vícios. Um agradecimento.



Há cerca de 30 anos comecei uma profissão. Pisava pela primeira vez em uma agência de propaganda e assumia uma Olivetti Lettera 22 (tempos depois eu fazia um up grade para uma Lettera 35, minha parceira de muitos e muitos textos). Com meus 6 dedos datilógrafos, os outros até hoje teimam recusar o trabalho, comecei a redigir meus primeiros anúncios. E nunca mais parei.

Há cerca de 4 anos, talvez nem tanto, comecei outra profissão. Pisava pela primeira vez em uma sala de aula na condição de professor. Acho que suava mais do que na estréia como publicitário. Mas consegui terminar bem a aula. Lembro que dois ou três alunos vieram falar comigo: gostaram, "mas o professor não precisava estar tão nervoso".

Com o tempo, pouco tempo de lá até aqui, fui tentando aprimorar um estilo de ensinar e assimilar as técnicas do magistério. Aos poucos fui acertando a mão, tentando levar para a sala de aula um pouco da minha experiência profissional, aliada à teoria de bons autores.

Desde o primeiro dia da profissão de professor eu recomecei a estudar. E não parei mais. Hoje - tenho certeza - leio, estudo e aprendo muito mais do que nos tempos de aluno, que, aliás, não estão tão distante assim, visto ter terminado a graduação em 2005. Preparar uma aula é, simplesmente, aprender. E isso é bom demais. Verdadeiro vício.

Por que o assunto?

Na semana passada, eu soube que a Direção da Estácio de Sá SC fez um ranking de seus mais de 300 professores, de acordo com as 4 últimas avaliações semestrais feitas pelos alunos.
E neste ranking o meu nome aparece como o 2º professor melhor avaliado pelos alunos, entre todos os cursos.

Em 1º lugar, com toda a justiça, vem a professora Márcia Alves, com quem eu também aprendo sem parar.

Este destaque nesta recente profissão tem um sabor especial, bem melhor do que os prêmios publicitários já recebidos na minha "jurássica" carreira. Aqueles eram dados por jurados, na maioria das vezes, publicitários como eu. Assim como também já fui jurado e concedi vários prêmios.

Este ranking é diferente. Tem um sabor diferente. Foi definido por quem realmente interessa no processo: o aluno. Ou, como diríamos nós, publicitários, o famoso e importante público-alvo.

Assim, pra terminar este post, que já está longo demais, quero agradecer aos alunos, é claro. Vocês não imaginam como é bom vivenciar as aulas com vocês.

Ensinar é como criar um anúncio. Puro prazer. Maravilhoso vício. Simples assim.

Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

Banca de TCC é o que é


Hoje às 21h foi a minha última banca de TCC lá na Estácio neste semestre. Revisando minha agenda, noto que foram 10 bancas em uma semana, sendo 5 delas dos meus orientandos: Carolina Barreto, Fernanda Porto, Heloisa Sprada, Ana Paula Martins e Daniel Souza.

Os assuntos foram variados: da campanha socioambiental da Coca- Cola ao posicionamento de evento-espetáculo do Super Bowl, passando pela campanha Adotar é Tudo de Bom da Pedigree, as estratégias ambientais da Osklen e as "personalidades" do Big Brother Brasil como lançadoras de modismos e modinhas.

Pela variedade de assuntos e temas, dá pra notar que orientar é um grande barato. A gente realmente aprende mais do que ensina. E a sensação de construir um trabalho de pesquisa com profundidade de análise com os alunos é a grande recompensa.

Aos meus orientandos, parabéns pelas monografias vitoriosas e obrigado pela oportunidade de estar com vcs neste momento tão importante.

Aos demais alunos, que me encontraram em suas bancas, também a homenagem e agradecimento pelo convite. Valeu mesmo.