03 novembro 2010

Mistura tudo aí!



Vou começar o post falando de propaganda, afinal este sempre foi o assunto central deste blog. E, por falar em propaganda, diga aí: qual a última vez que você viu um comercial genial no ar? Tudo bem, para facilitar, vale citar anúncio de jornal ou revista. Só não vale aqueles anúncios fantasmas da Archive.

Talvez você cite um ou outro comercial do Itaú, Renner ou de uma cerveja qualquer. Produção impecável, trilha idem. Mas e a ideia? É genial mesmo?

Se você não lembra nada assim tão criativo, empatou comigo. Eu não lembro e, pior, não tenho feito nada parecido. A propaganda brasileira está em crise. E o mais curioso é que isso acontece em um momento em que os investimentos publicitários aumentam.

De quem será a culpa? Criativos? Atendimento? Donos de agências? Clientes?
A culpa é geral. Total. Universal. Eu já li explicações de que as coisas estão assim, ideias acomodadas na vala comum, por que este é um ano eleitoral. Então tá. Vamos esperar que a presidente (ou presidenta, os dois termos são válidos, mas o primeiro confere mais pompa ao cargo) resolva tudo a partir de primeiro de janeiro, e ela mesma trate de criar uns comerciais mais legais. Por que nós, publicitários, não sabemos mais como se faz.

Falando nisso, entramos no segundo assunto do post: a política. Um aluno lá da Estácio, o Jefferson Borba, tuitou um dia desses que não se pode esperar muito de um povo que precisa de uma lei que o impeça de votar em bandidos. Nem preciso falar mais. Mas vou falar.

Deu Dilma, já era previsível pelas pesquisas e por todo o apoio do Lula. Aliás, o presidente foi multado várias vezes durante a campanha. Dá para acreditar em um país onde o presidente é multado por que não cumpre a lei? Nem preciso falar mais. Mas vou falar.

Acho que faltou mais garra na campanha do Serra. O Daniel Passarela, quando era técnico da seleção argentina disse a seus jogadores: “Hay que tener gana de glória”. Senti falta de brilho nos olhos do Serra. Senti falta de palavras fortes, de indignação, de entonação. Tudo aquilo que a gente exige do locutor quando grava um spot que vende emoção.

Agora é Dilma. Eu tentei fazer a minha parte. Faltou a parte dos meus irmãos do norte e nordeste. Mas muitos deles são assalariados do bolsa-família. E isso já é outro assunto.

Falando em assunto, vou mudar o foco. Agora, vou falar de futebol. Quem não gosta, pode mudar de canal.

Espere! Decidi não falar de futebol. Os interessados nesse assunto podem acessar meu outro blog, no Pontape.net

4 comentários:

Marcelo Zaniolo disse...

Concordo plenamente com os dois/três/quatro assuntos de seu texto.

Muito bom :)

E o que eu tenho notado ultimamente nas propagandas são trilhas excelentes em detrimento de ideias genias... Não precisava ser assim, né?

Abraço, professor.

Creofago disse...

Acho q tem q se tomar cuidado qdo fala-se que a dilma venceu pelo norte nordeste.

Soa um tanto preconceituoso dada a forma pejorativa com que é tratado, além de ignorar o fato que, se o brasil fosse limitado ao sul e sudeste, a Dilma teria 24,7 milhões de votos contra 24,4 do Serra.

Ela ganhou inclusive aqui.

Abraços prof, tomara q a inspiração ainda volte esse ano! 2010 tá fraco pra propaganda. Aquela do "ão" é uma das piores q já vi na vida!

Felipe Stahnke

Fernando Palermo disse...

Oi, Felipe.
Esqueci de incluir o Rio de Janeiro no quadro pró-Dilma. Não quis ser preconceituoso com o nordeste,longe disso. Apenas lembro que cerca de 22% os eleitores nordestinos recebem bolsa-família. É claro que isso influencia o voto de toda a família.
Na região Sul deu Serra, inclusive aqui em SC.
Mas agora, é bola pra frente e torcer pro Brasil verde e amarelo, sem cores partidárias. Mesmo pq votei no PT na minha vida inteira. Mudei nesta eleição, por motivos que não cabe detalhar aqui.
Quanto à criatividade, o cenário virou um deserto. Abração!

Jefferson disse...

Obrigado pela citação Palermo, fico feliz em ver que não sou o único que vê essa lei (necessária) dessa forma.

Mas um povo que não diferencia um cordeiro de um lobo, ou, sendo ainda mais elementar: o que te faz bem do que te faz mal, não tem como viver num lugar bom.

Agora vamos lá, venceu a campanha "menos ruim", com a ajuda de um presidente que já falou "f*&$-se a constituição" e as classes mais baixas sendo literalmente sustentadas para sustentar este governo.

Cada país tem o governo que merece.