01 agosto 2010

Eu quero ler, mas eles não deixam


Esta frase do título é real e ouvi de um cidadão comum (aquela espécie humana que não é publicitário) no momento em que ele tentava ler um anúncio.

O “eles” da frase se referia, claro, aos publicitários.

Agora, a minha contribuição: o Eloy Simões tem razão, os redatores estão mesmo sendo maltratados pelos diretores de arte. Ou melhor, os textos estão sendo maltratados.

Um dia desses, vi um bom título em um outdoor sobre doação de órgãos. Mas o subtítulo, que trazia o mote da campanha, era completamente invisível. Isso mesmo, invisível. Somente na terceira vez em que passei em frente ao outdoor pude notar que havia uma frase a mais. Consegui ler a tal frase na quinta vez em que passei por ali.

Estão sacrificando a leitura do texto em prol do equilíbrio do layout. Estão diagramando frases e textos sem uma leitura prévia. Corpo 8 já é considerado um luxo. O texto está pequeno? Deixa eu dar um zoom e você verá que está bom.

O problema é que o consumidor não tem a ferramenta de zoom. O problema é que as pessoas não compram uma revista para olhar os anúncios. O problema é que as pessoas não ficam procurando outdoors pelas ruas.

Já é muito difícil atrair a atenção das pessoas para os nossos anúncios. Já é muito difícil fazer com que elas leiam nossas mensagens comerciais. E nós, os publicitários, ainda dificultamos tudo, colocando textos ilegíveis.

Por isso, eu falo tanto sobre a ditadura do visual em sala de aula.

17 julho 2010

Uma crônica atrasada da Copa.


Esta Copa do Mundo fez lembrar a minha pré-adolescência. Turma reunida na esquina lá na Zona Norte de Porto Alegre, alguns calçando tênis barato, outros de pés descalços. Mas todos com um só pensamento e uma grande vontade: jogar futebol.

Naquela época ainda jogávamos no meio da rua, uma rua com paralelepípedos irregulares e recém colocados. Pode-se dizer que não era o piso ideal para uma bola rolar. Muito menos para solas de pés descalços.

Tínhamos disposição e jogadores em número suficiente para dois ou mais times. Mas nem sempre tínhamos a bola. E não éramos exigentes, qualquer bola servia. De couro muito gasto pelo constante atrito com as pedras, de borracha ou mesmo de plástico. Cheias ou furadas. Aquelas bolas coloridas de plásticos quando furavam ficavam ovais, e reagiam com desobediência aos nossos passes ou chutes. Mas não importava. Eram bolas. Necessárias e indispensáveis bolas.

O problema é que, de vez em quando, nem estas bolas velhas e furadas nós tínhamos. E sem bola, não adianta a vontade, não adianta a disposição, não adianta nem o talento. Sem bola não se consegue jogar futebol.

Talvez tenha sido esta a filosofia de jogo da seleção da Espanha, a campeã da Copa da África. Uma estratégia básica: ficar com a posse da bola o maior tempo possível. Trocar passes sem pressa, sem erros. Porque, sem a bola, o outro time não consegue jogar. Simples assim.

11 julho 2010

As coincidências da vida.


Na semana passada, morreu Ezequiel Neves. O Zeca Jagger. Um célebre desconhecido para a geração 2.0. Mas um nome e uma alcunha que significam música e loucura para quem viveu pelo menos metade da vida irremediavelmente unplugged.

Ezequiel, para quem não sabe, era jornalista sem nunca ter sido. Feroz crítico de música, incansável produtor musical, alucinado amigo e mentor do Barão Vermelho e de Cazuza.

Você já deve ter ouvido falar de Cazuza. Já deve ter ouvido pelo menos uma das suas tantas músicas geniais. Cazuza marcou uma geração do rock nacional. Mais do que isso, marcou para sempre a música brasileira.

Semana passada, completou-se 20 anos desde a morte precoce, mas sempre perigosamente perseguida, de Cazuza. O poeta flertava com a morte, levando sua vida na mesma batida louca de suas canções. Exagerado, ele era mesmo exagerado.

E, por essas coincidências que insistem em nos visitar, o criador Ezequiel Neves morreu exatamente no mesmo dia em que todos lembravam os 20 anos da morte de sua mais genial criatura.

A foto de Cazuza está aqui na minha frente, debochadamente rindo de tudo isso.

A vida brinca com a gente.

05 junho 2010

Sequelas.

Quinta-feira. Feriado. Sol. Grama alta. Tudo perfeito para botar a máquina de cortar grama pra funcionar. Quer dizer, quase perfeito. Não fosse uma minúscula e despercebida vespa escolher minha mão esquerda para depositar seu veneno.

Não foi a primeira vez que isso aconteceu. Lembro de uma, no verão de 2009, que pousou em meu lábio e o deixou maior que celebridade decadente com excesso de botox.

Mas desta vez foi diferente. A dor foi igual, mas as conseqüências muito piores. Poucos minutos depois da picada na mão, senti o rosto formigando. Também as pernas, as solas dos pés. O corpo começou a esquentar. Coceira generalizada.

Mas se fosse somente coceira, um banho resolveria. E não era. Uma leve tonteira. Deitei no sofá. A Lua sempre perto de mim. Não me largava. Levantei, com a Lua colada. Fui para o pátio de novo. Caminhei de um lado para o outro. Sensação estranha. Um pouco de medo, sem saber o que estava acontecendo.

Resolvi ligar para a Graça, que tinha saído de carro. Pedi para trazer um antialérgico qualquer. Ela estava no mercado, pertinho, aqui nos Ingleses. Veio correndo, não com um antialérgico, mas com o firme propósito de me levar para uma clínica médica.

A Laitano fica a uns 5 minutos de casa, de carro. Fui de carona, completamente cego. Já não via mais nada, tudo branco. Cegueira branca, como escreveu Saramagno.

Cheguei na clínica. Caminhei apoiado até a entrada. Não consegui tirar o cartão da Unimed da carteira. Lembro que me deixaram entrar direto para o atendimento.

Não lembro de muita coisa que aconteceu depois. Disseram que desmaiei duas vezes. Que caí no chão. Lembro de algo como me sentir saindo do corpo. De sentir uma leveza.

Lembro de abrir os olhos e o médico perguntar meu nome. Perguntar onde eu estava, e ele mesmo responder: você está no céu. Disse isso e sorriu, com uma cara de preocupado.

Colocaram em mim uma máscara de oxigênio. Ligaram fios no meu corpo. Deitado, enxergava o monitor do aparelho sobre a minha cabeça. Números e linhas sinuosas.

O médico tirou o aparelho de oxigênio e resolveu ele mesmo usar uma bomba manual. Continuou por alguns minutos assim, bombeando ar para os meus pulmões. Senti uma agulha, era injeção de adrenalina. Senti outra agulha, agora no braço. Soro e Fenergan.

Aos poucos comecei a raciocinar. E guardo as palavras, agora de um médico mais tranquilo: desta você escapou, mas foi questão de minutos. O choque anafilático, pela alergia à picada de vespa, foi poderoso.

Aquela vespa minúscula e anônima deixou como sequela uma certeza: na vida não existem problemas, se há vida.

30 maio 2010

Gibis e Indios no Cinema


Sou do tempo de ir à matiné para trocar gibis. Todo domingo era a mesma rotina: íamos ao cinema equilibrando nos braços uma pilha de gibis.

Na tela, sempre um bang-bang. Lembro do Ringo, um mocinho com cara de mau. Dava um tiro e matava dois ou três índios. Naquele tempo ainda não existia o politicamente correto, e os mocinhos matavam índios.

Quando a coisa ficava preta para o lado do mocinho, sempre surgia a cavalaria no alto do desfiladeiro. E a gente acompanhava o tropel de cavalos batendo com os pés no chão velho do cinema Rosário, lá em Porto Alegre.

Terminado o filme, havia um intervalo que durava o tempo necessário para a gente fazer as trocas de gibis. Era preciso ter o máximo de cuidado para não voltar para casa com um gibi faltando páginas. Geralmente as páginas centrais.

Um almanaque valia dois ou três gibis normais. Também havia os mais valiosos, como os primeiros do SuperHomem. Mas quem tinha não trocava por nada.

Três gongos e recomeçava a sessão, com mais um filme. Mas a tarde já estava ganha, ou melhor, a semana toda. Muita leitura pela frente, pelo menos até o próximo domingo quando a gente voltaria ao cinema para trocar tudo de novo.

09 maio 2010

Idiomas e crases


Dia desses, passei em frente a um grande e famoso curso de idiomas, ali no Santa Mônica, Floripa. No portão de entrada, estava uma placa que se destacava: "Bem-vindos a maior rede de ensino de idiomas do mundo."
Não foi possível conter o sorriso. Não pela hipérbole que a promessa continha. Nada disso. Mas achei engraçado justamente o que a frase não tinha.

Aquela placa falava da maior rede de ensino de idiomas do planeta! Quer dizer, os caras conhecem e ensinam francês, espanhol, inglês, alemão e, sabe-se lá, talvez até o javanês.

Sabem e ensinam todos os idiomas, menos o português. Se soubessem, teriam utilizado a crase que se faz necessária na frase.


30 abril 2010

Rotina mutante


Criar campanha. Atender cliente. Falar com produtora. Criar anúncio. Escrever roteiro. Atender cliente. Prospectar cliente. Ajustar campanha. Dar aula. Perder prospecção. Refazer anúncio. Revisar texto. Receber fotógrafo. Corrigir prova. Analisar currículos. Esquecer de almoçar. Acordar cedo. Criar banner. Dormir tarde. Ver o Inter perder de novo. Ler um pouco. Criar anúncio. Ver o Avaí ganhar de novo. Criar anúncio. Aprovar campanha. Criar folheto. Atender cliente. Acompanhar edição. Conquistar novo cliente. Tentar administrar o tempo.

26 março 2010

Um site pra soltar o verbo

Hoje, vou dar uma dica pra quem gosta de escrever. O PSV – Portfolio Sem Vergonha é uma rede social que disponibiliza briefings variados e muito completos a fim de incentivar e ajudar os aspirantes a redação e direção de arte a montarem seu portfólio. Já são mais de 1.200 cadastrados entre estudantes de comunicação, estagiários e profissionais, que participam dos desafios e mandam suas peças para o júri avaliar.

Mas a novidade é o
PSV-Crônicas, uma espécie de braço textual do Portfólio Sem Vergonha. A ideia é proporcionar o ponto de partida para a elaboração de textos dentro de um prazo determinado. Os textos recebidos serão respeitados e publicados no Crônicas, onde profissionais capacitados irão escolher o vencedor através dos quesitos: original, interessante, imaginativo e, obviamente, que obedeça as regras gramaticais.

E o primeiro desafio já começou. Confira lá no
site o tema escolhido, envie seu texto e participe dessa disputa literária. É pra soltar o verbo.

12 março 2010

Quem quer estágio?

Hoje o FalaPalermo assume um caráter head hunter e publica uma vaga de estágio na Knowtec, uma bela empresa que atua em parceria com a Talk e o IEA.

Se você se enquadra nas características abaixo, e confia no seu talento, vale a pena. Ainda não conheço empresa que se preocupe tanto com recursos humanos e qualidade de vida no trabalho.

Veja:

A Knowtec Florianópolis, empresa especializada em Inteligência Competitiva e atuando há 9 anos no mercado seleciona:

01 Estagiário para a área de Comunicação Corporativa

Requisitos:
*Graduando a partir da 5ª fase em Publicidade e Propaganda, Jornalismo, Marketing ou Administração;
*Conhecimento de comunicação interna/empresarial;
*Conhecimentos em Corel ou Photoshop;
*Relacionamento em redes sociais (Flickr, Twitter, Orkut, Facebook, Youtube);
*Experiência com plataformas de blog (Blogger, Wordpress);
*Boa capacidade de comunicação;
*Pacote Office e boa navegação;
*Boa redação;

Atividades:
*Criação de peças para serem utilizadas na comunicação interna;
*Auxiliar no desenvolvimento de estratégias e conteúdos de comunicação, visando disseminar informações para os colaboradores e demais parceiros, com o objetivo de implantar uma comunicação integrada, que contribua para o fortalecimento da cultura interna e da identidade corporativa.

Carga Horária: 20 horas semanais
Bolsa: R$ 697,50 Seguro de Vida, Recesso Remunerado, Vale Transporte

Interessados: danielle.alves@knowtec.com

08 março 2010

Emoções

Fique tranquilo, não se trata de mais um especial do Rei, e sim de um final de semana repleto de emoções. E das fortes.
Acho que passei por um bom teste cardíaco, provocando ao extremo a capacidade do bom e velho coração.

Pra quem não sabe, no último sábado foi a formatura de mais uma turma de publicidade das Estácio de Sá Santa Catarina. Uma turma muito especial.

E eu fui o Paraninfo. E entre os alunos estava a Dani, minha filha.

Após pausas estratégicas e goles salvadores de água, consegui chegar ao final do discurso. Eu gostei. Ela gostou. Muita gente se emocionou.

Aos novos publicitários, mais umas palavrinhas: vocês são incríveis. Vocês serão inesquecíveis.