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24 outubro 2009

Sobre música e emoção



Passadas as turbulências normais a qualquer mudança, vou tentar retomar as rédeas do blog. E me proponho a escrever sobre um assunto - aparentemente -simples: a música na propaganda.

Sim, vou falar de música, logo eu que não consigo tirar meio acorde de um violão (e olha que já tive dois). Também fui um silencioso proprietário de uma flauta doce, adquirida numa permuta por uma camiseta de goleiro. Sempre joguei na linha, não lembro como eu tinha aquela camisa número 1. O fato é que também nunca tirei uma nota sequer da calada flauta.

Minha experiência com a música sempre se resumiu a escutá-la. Até que comecei a trabalhar em propaganda e tive que começar a pensar em trilhas, selecioná-las ou encomendá-las.

No começo da carreira, o próprio redator dirigia seus spots. E lá ia eu para a saudosa Artec Som, em Porto Alegre, dirigir o Bira Valdez, o Bira Brasil, o Rui Carvalho, o Ivan Fritsh e outros locutores realmente espetaculares. A trilha era escolhida a dedo, à procura de um LP gringo para piratear a música. A Artec, e todas as produtoras da época, tinham coleções intermináveis de bolachões. Uma maravilha. Um pedaço de Genesis, o finalzinho de um Pink Floyd, uma montagem com Gilete e Durex, e estava pronta a trilha do spot.

Muito tempo passou e a música voltou a marcar meu trabalho na série de filmes da Malwee, já nos anos 90, quando compramos os direitos e regravamos músicas do Só pra Contrariar, Isolda, Cidade Negra, Ivete Sangalo, entre outros sucessos.

Mas estes foram casos em que tínhamos verba (lembra dela?) para a produção. Na maior parte das vezes, a solução sempre foi a imprevisível trilha pesquisada, saída de um banco de trilhas qualquer. Às vezes dá certo, às vezes derruba o spot ou comercial.

Não adianta caprichar no texto, escolher um bom locutor, acertar na entonação, se você errar na trilha. O ritmo é fundamental, o clima proposto por ela é vital para a sua peça.

Acertar na música da campanha é meio caminho andado para o sucesso. A música sempre foi, e continuará sendo, a melhor maneira de conquistar o coração do consumidor. Música é sinônimo de emoção.

Mas quando falo em emoção, não me refiro só àquela emoção do choro triste, vale também o sentimento que provoca um riso contido, um sorriso rasgado ou um brilho nos olhos. A emoção do arrepio e do frio na barriga. A sensação de querer escutar de novo, de querer ligar pra emissora e perguntar que música é aquela que tocou no comercial.

Escolher a música certa é tão importante quanto a seleção das palavras certas da locução. Simples assim.




16 outubro 2009

A inspiração pra voltar

Agora que voltei à propaganda, uma pergunta é recorrente: voltou por quê?

A resposta é simples como a própria propaganda: voltei porque a inspiração chamou. A vida, quando inspirada, é mais desafiadora, mais instigante, mais apaixonante.

E a inspiração surge do nada. Ela pode subir uma escada, aparentemente sem ser notada. Mas você está de olho. E ela pode olhar pra você com um olhar meio assim, como quem finge não olhar, mas não desvia os olhos sem antes esboçar um sorriso.

É preciso também sorrir pra inspiração. Mas sorrir de um jeito seu. Porque só assim ela te pega, e te conquista. E faz de você um menino de novo. E você quer recomeçar a viver. Viver uma vida inspirada.

Viram porque voltei? A inspiração chamou. E eu voltei.
Simples assim.

13 outubro 2009

O retorno.

Conforme prometido, vou informar a vcs mais uma virada na minha vida.

Vcs sabem que depois de 30 anos como redator e diretor de criação em agências de Porto Alegre e Floripa, resolvi deixar as agências. E, enquanto me dedicava à docência, surgiu um novo rumo na minha vida, que foi a Talk, uma empresa de comunicação digital. Foram quase dois anos de vida on-line na Talk, onde aprendi muito e conheci novos e bons amigos.

Mas a boa e velha propaganda, que sempre esteve impregnada na minha corrente sanguínea, falou mais alto. Pois é, pode preparar aquele feijão preto que eu tô voltando.

E volto para a DBS, a última agência onde trabalhei antes de deixar o mercado publicitário. E volto na hora em que a DBS está se reinventando, em nova sede, em um novo momento. Mas conservando aquela pegada criativa que todos conhecem. A DBS continua enxuta, continua inventiva, continua genial. Continua diferente de todas que eu já conheci.

Por isso volto para a DBS, a partir do dia 16 de outubro. E volto como sócio da Carol Assis. A Carol e a Bia, que saiu da DBS para se dedicar a outros desafios profissionais, fundaram e construíram a agência mais querida de Santa Catarina. Eu apenas quero dar seguimento a este sucesso.

Minha missão é juntar forças com a Carol e a criativa equipe da DBS. É continuar a história de uma agência gestora de marcas fortes e fiéis ao seu estilo. O jeito DBS é diferente. É divertido. É comprometido. É publicitário de corpo, alma e coração.

Voltei. Feliz da vida. Simples assim.

22 setembro 2009

Sobre uma vovó moderninha e titias nem tanto



Não é foco da linha editorial do blog comentar as novidades publicitárias da mídia. Mas este fato não pode passar em branco.

Você já deve estar sabendo que a ALMAPP BBDO tirou do ar aquele
comercial genial que mostrava o diálogo – inteligente – da avó e sua neta. Aquele mesmo em que o Cauã Raymond fazia apenas uma ponta – outra prova da genialidade da ALMAP.

Já comentei isso várias vezes nas aulas. Entre tantas coisas que admiro nas campanhas das Havaianas, é o fato de que eles não utilizam celebridades apenas para recitarem textos mornos sobre o produto. Pelo contrário, o famoso sempre aparece a serviço da idéia, e muitas vezes apenas como escada para a piada.

Mas vamos voltar para o comercial censurado pela opinião pública. Pois é, algumas pessoas, ou algum triste grupo organizado da nossa chamada sociedade civil, andou reclamando que a simpática e moderninha vovó estava incentivando sua neta a praticar sexo sem compromisso.

Um fato lamentável, que vem mostrar, mais uma vez, que o grande problema da sociedade moderna é a falta de assunto, mesmo nesta era de profusão de informações digitais. Pessoas sem assunto, ou sem ter o que se preocupar de verdade, agiram em defesa da boa moral e dos velhos bons costumes.

Mas esse fato lamentável gerou mais uma peça brilhante – e, mais do que isso, inteligente – da ALMAP. E a agência lançou um
comercial com a própria vovó comentando que o comercial foi tirado do ar em respeito a quem reclamou. E que, também em respeito a quem o elogia, ele continua no ar na internet.

E, pérola das pérolas, finaliza o texto com o mote de que é moderninha.

Tudo lindo, se não fosse triste. Triste assim.

17 setembro 2009

Adrenalina pós-aula

São 23h. Recém cheguei da Univali. Hoje é quarta-feira, e como toda quarta-feira, meu destino é a Univali da Ilha. Mais precisamente na turma da segunda fase do curso de Produção Publicitária. Para quem ainda não sabe, vale repitir: a disciplina é Linguagem Publicitária.

Hoje foi uma aula diferente. O pessoal da agência de propaganda que atende a Univali foi lá na sala para passar um briefing real para a turma: criar o nome de um programete de TV que eles estão planejando para a faculdade.

Foi uma boa experiência. Turma dividida em grupos, grupos usando a associação de ideias nos seus brains, depois seleção das melhores ideias em cada grupo, e, por último, a turma toda definindo as melhores sugestões.

Nada demais. Tudo demais. Uma aula normal com um exercício. E, como sempre acontece, cheguei na aula cansado depois de um dia inteiro de trabalho na Talk. Ou melhor, a manhã na Estácio e a tarde na Talk.

Mas, como sempre acontece, na sala de aula, depois do boa noite para os alunos, tudo muda. Sai o cansaço e entra a empolgação. Sai o sono e entre a energia. A aula foi boa, foi divertida, foi leve. E muito produtiva. É bom demais fazer aquilo que a gente realmente nasceu para fazer.

Entre tantas coisas, eu acho que nasci para dar aulas. E fazer propaganda. Não sei se faço as duas da melhor maneira, mas me divirto fazendo. E isso é o que importa.

Se você tem um trabalho e não se diverte na sua execução, cuidado. Você pode ter escolhido o caminho errado para ser feliz. Quem sabe não encontrou ainda o grande desafio da sua vida?

Falando em desafio, em paixão pelo que se faz e diversão ao fazer, em breve eu conto uma novidade. Uma grande novidade. Uma boa novidade.

Mas isso eu conto outra hora, em outubro.

07 setembro 2009

Vícios

Acho que já escrevi aqui sobre isso: vício. Não aquele vício que abrevia a vida. Falo do vício bom - existem? - aquela prática que se incorpora na vida da gente e não desgruda mais.

Falo do vício dos antigos e saudosos ponteiros do futebol, tipos diferentes, que insistiam em jogar futebol equilibrados em um corredor imaginário de 3 metros de largura, paralelo à linha lateral do campo. Sujeitos obcecados pela linha de fundo e cruzamentos certeiros para centroavantes também viciados. Mas em gols.
Falo do vício do jornalista investigativo, aquele tipo Caco Barcelos. Sujeitinho viciado em descobrir notícias onde as pessoas normais veem nada mais do que a rotina sonolenta da vida.

Falo do vício que tive por longos 30 anos, e que até horas atrás pensava que tinha abandonado. O vício de buscar combinações novas para palavras já desgastadas. O vício de falar com pessoas que não conheço, mas que busco sempre entender seus comportamentos e desejos.

Falo do vício de criar propaganda. De pensar propaganda. De fazer propaganda. De viver propaganda 24 horas por dia. Um vício terrível, daqueles que dão prazer. E uma vez que a gente experimenta, nunca mais se livra.

Sim, é uma recaída.

27 agosto 2009

Tem livro no forno

O livro está tomando forma. Não é exatamente a forma que eu tinha planejado. A princípio, pensava em fazer um livro em um formato e linguagem mais clássicos, aquele tipo de livro que serve de referência em um trabalho de pesquisa. Um livro para servir de citação, direta ou indireta.

Mas estou escrevendo, escrevendo, escrevendo... e vendo o livro tomar vida própria. De vez em quando, no meio de um assunto, surge uma frase, um conceito, uma pequena história. E o livro desvirtua de seu trajeto normal.

Ou será que estará aí sua maior virtude?

Acho que o livro está tomando a cara das minhas aulas. E quem já foi meu aluno sabe: vivo saindo do script da aula, conto histórias tão boas de serem contadas (não sei se tão boas de serem ouvidas) que acabo até esquecendo porque puxei da memória aquela ladainha.

Escrever está sendo tão gostoso quanto dar aulas. E isso é bom demais.

Simples e sincero assim.

16 agosto 2009

Sobre sedução

Sempre vale falar de sedução. Não aquela sedução do olho no olho, do sorriso contido no canto dos lábios. Falo daquela sedução mais abusada, mas não menos excitante. Falo do poder de sedução da propaganda.

Falo, é claro, da boa propaganda. Aquela que não busca atingir apenas a cabeça e o bolso do consumidor. Mas o coração. Aquela propaganda que não visa apenas o indivíduo-consumidor, mas a pessoa. A propaganda que não busca o puro, e sem graça, convencimento, mas a desafiadora persuasão.

Enquanto o convencimento fala à razão, a persuasão se dirige à emoção. A persuasão constrói um caminho mais excitante desde a mensagem até a ação. Exige mais do criativo. Exige mais talento, mais técnica, exige mais sensibilidade.

Geralmente, os textos mais persuasivos e bem sucedidos levam em conta mais as crenças dos consumidores do que as próprias características do produto. Identificamos os valores, necessidades e desejos do consumidor e os associamos às características do produto.

Quando se fala em sedução do consumidor, muita gente logo pensa em apelo sexual na mensagem. Historicamente, a palavra sedução carrega uma carga mundana, traduzindo uma espécie de feitiço que levava o indivíduo ao pecado. Sedução, para muitos, ainda é sinônimo de algo libidinoso, proibido, profano.

Na publicidade, a sedução carrega objetos de desejo, de felicidade, de bem-estar e de realização. A sedução aparece como um jogo de promessas e realização. A sedução na publicidade é o que fascina. E conquista.

Simples assim. Ou não.

30 junho 2009

A Internet não pode esquecer as pessoas

A comunicação na Internet, tão jovem, já está sofrendo um sério risco. Um perigo que a própria propaganda já enfrenta há muitos anos.

Falo da autoalimentação, ou seja, buscar referências apenas nela mesmo. Explico: fala-se tanto em Orkuts, Twitters, Blogs, Flickers e outras mídias sociais, que se corre o risco de falar, falar e pouco fazer.

Este sempre foi o erro de muitos publicitários e suas agências convencionais. A propaganda alimentada pela propaganda. Comercial servindo de matéria-prima para comercial.

A Internet pode estar tomando este rumo. Estamos tão encantados com a web e suas possibilidades que podemos acabar esquecendo todo o resto.

É preciso ter muito claro e presente que a maior referência é a vida, são as pessoas. É preciso levantar os olhos e enxergar além do monitor.

Claro que é válida toda esta troca de informações e estudos sobre a Internet e suas ferramentas. Mas não perder de vista as pessoas é vital. Simples assim.


25 junho 2009

Pós-aula é isso aí.

Saí da sala de aula há cerca de 2 horas. Ainda estou sob o efeito maravilhoso deste meu recente vício. Foi uma boa aula, espero que os alunos tenham a mesma opinião. Foi ali na Univali da Ilha. Cadeira de Linguagem Publicitária, e o assunto foi o texto publicitário e suas dimensões.

O ponto incial foi a ditadura da ideia visual na propaganda atual. Este conceito é meu: ditadura mesmo. Não que os anúncios visuais premiados de hoje em dia, e dignos de anuários, sejam ruins. Longe disso. A maioria é genial. O problema é criar um preconceito contra anúncio com texto. O problema é pegar o briefing e já começar a perseguir uma ideia "sem texto". Como se fosse antigo criar anúncio que tenha texto.

Digo, insisto, repito sempre que lembro - minha memória é ruim de verdade - e tenho vontade de afirmar em um longo texto: tem muito redator por aí que não sabe mais desenvolver um bom texto. De tanto criar "anúncios com ideias visuais" acaba atrofiando a maravilhosa vocação da escrita.

Sempre falo que se existe uma regra para a propaganda, esta é a lei do depende. Alguns clientes, alguns produtos, alguns públicos, fazem por merecer um bom texto. Longo ou não. Mas sempre um bom texto, é claro.

Hoje, falamos bastante sobre isso. Alguns alunos já estão no mercado publicitário e isso sempre rende uma boa discussão.

Mais adiante discutimos outro assunto polêmico: a propaganda manipula as pessoas?

Já são 00h15 de quinta. A manipulação, ou não, fica para um próximo post.

17 junho 2009

O redator não foi na filmagem?


Na segunda-feira foi lançado um comercial do novo Ford Fusion. Grande ideia, poderosa ideia. O filme utiliza a linha criativa que alguns chamam de "dar volta às coisas", ou seja, a história se encaminha para um final que, de repente, é alterado de maneira radical. O famoso final inesperado. Não vou contar a história aqui, vale a pena conferir no YouTube ou na TV mais perto de você.

O assunto do post não é a ideia genial. Mas o erro que o comercial traz. Hoje à tarde, fui alertado pelo @levipedroso. Fui conferir e não deu outra: o redator não deve ter acompanhando as filmagens.

Qual o erro? Preste atenção nos diálogos do comercial. Tem uma frase que é repetida: "onde você pretende estar daqui 5 anos?". Certamente o roteiro trazia a frase correta, com a expressão "daqui a 5 anos".

Como o erro passou? Quem já foi a um set de filmagem sabe o stress que rola, a repetição das cenas, onde é preciso monitorar de tudo. Do movimento da câmera ao reflexo no talher. E como a equipe tenta cuidar de tudo, às vezes escapa um detalhe. Neste caso, mais do que um detalhe. A grande frase do comercial foi falada de maneira errada pelos atores.

Será que ninguém percebeu? Bom aí, somente estando lá para saber. Lá na filmagem, ou na edição. Quem sabe se justamente a cena onde eles erraram a frase não tenha sido a melhor? A única "boa"?

Pena, porque a ideia é demais. E a trilha é maravilhosa, pontuando o comercial da maneira exata. Dando ritmo e estilo. Preste atenção.


15 junho 2009

Sobre Faustão, Pretinho Básico e a propaganda



Escutei hoje no Pretinho Básico – sim, além de tudo ainda arrumo tempo pra ouvir o PB de vez em quando – um assunto que há alguns dias eu pensei que daria um bom post. Aproveitando o gancho, vou ao assunto: o Programa do Faustão – sim, às vezes tb encontro tempo de conferir o que acontece na Globo.

Vamos lá: quem conheceu o Fausto Silva antes de virar o Faustão da Globo pode recordar comigo: o Perdidos na Noite que ele apresentava aos sábado da Band tinha uma linguagem meio anárquica para os padrões televisivos. Não só pelos palavrões ditos com a naturalidade de quem diz um bom dia ao porteiro, mas pela maneira descompromissada de levar o programa, suas entrevistas e seus assuntos.
Fausto Silva, com o seu Perdidos, era cult.

Até que surgiu a Globo e transformou Fausto Silva no Faustão das camisas terríveis de hoje. O pior é que a mutação não foi apenas no visual. A Globo transformou um talento inovador em um repetidor de fórmulas comportadas e consagradas. Fórmulas controláveis. E este é o ponto do post. A maneira como domesticaram o Fausto é a maneira como domesticam também a audiência. Domesticados são controláveis, previsíveis, não oferecem riscos.

Quer saber o susto que Fausto deu na sua estréia na Globo? Assista no YouTube o primeiro Faustão da Globo. Vc verá um cara que entra pela primeira vez no palco da Globo – ou do Brasil? - sem se preocupar com as câmeras, sem obedecer marcações de cena. Ele entra e passa direto pelas câmeras, que são obrigadas a enquadrá-lo de costas (um sacrilégio para o padrão Globo). E Fausto vai até o auditório, e libera seu palavreado pop e natural.

Mas Fausto virou Domingão. Será que se acomodou? Será que se entregou aos contratos milionários? Será que ele não lembra mais como ele era bom no que fazia?

Não quero generalizar, mas esta mudança do Fausto Silva tem tudo a ver com o jovem criativo que começa na agência. Chega cheio de gás e novas idéias. Quer conquistar Cannes, Londres e o mundo. Deseja inovar, descobrir novas e inusitadas maneiras de dizer a mesma coisa de sempre. E no começo até consegue. Mas logo, o padrão vigente acaba com ele. Ou, melhor, enfraquece. Vai minando e aniquilando aos poucos. Vai colocando uma pedra aqui, outra ali. Uma parede aqui, outra ali. E vai dificultando sua caminhada a Cannes ou Gramado.

Conversa pessimista? Nada disso. Apenas um aviso para os Faustos e Faustas que chegam às agências. Não deixem que transformem a suas carreiras em um Domingão do Faustão. Simples assim.

13 abril 2009

Tendência ou obrigação?



Alguns dias sem escrever por absoluta falta de tempo e de assunto. Hoje volto ao blog, porque tenho tempo. Quanto ao assunto, este é um item que continua em falta apesar de que o velho mundão continua com suas barbaridades. O BBB terminou. Começa hoje uma nova novela. Faustão continua sem solução. As agências de propaganda tradicionais continuam com seu velho discurso de comunicação integrada, comunicação total, comunicação etc e tal. E a Internet continua bombando.

Enquanto isso, em SP, as agências de ponta, que sempre ditam as tendências, anunciam a abertura de seus núcleos de comunicação digital. Não dá mais pra fingir que a web é uma midiazinha de jovens sem nada mais sério para fazer do que navegar e bater papo.

Hoje mesmo, no final da tarde, passei em uma agência e bati um papo interessante, ou melhor, no meio do papo ouvi uma pergunta interessante: abre aspas – Então, quer dizer que as empresas podem usar o Orkut pra anunciar? Como se faz isso? Nunca notei! – fecha aspas.

Pois é. Pelo menos este meu amigo foi sincero e deixou bem claro que não tem idéia de como utilizar o Orkut, por exemplo, em uma campanha para um cliente. Rapidamente comentei com ele algumas maneiras de utilizar a net para reforçar o relacionamento entre marcas e pessoas.

A Internet, e suas Mídias Sociais, estão aí dando sopa para completar os planos de comunicação que as agências vendem para seus clientes. Que tal acrescentar no seu plano uma pitadinha de Orkut, um leve tempero de Flickr, um toque de Twitter ou uma boa dose de Ning?

Está mais do que na hora de as nossas agências montarem seus núcleos de comunicação digital. O campo de trabalho para nossos profissionais ampliaria, assim como aumentaria a eficiência de nossas campanhas.

04 abril 2009

A propaganda agoniza

Você achou interessante o título deste post? Então, dê uma conferida no artigo que publiquei lá no site da Criação Catarinense. Nem tanto pelo próprio artigo, mas muito pelo conteúdo do site: portfolios,noticias, dicas e artigos, é claro. O site é uma iniciativa do pessoal de criação das agências catarinenses. Vale a pena dar uma olhada, nem que seja por simples curiosidade (apesar de eu ter certeza de que vc o colocará entre seus favoritos).

15 outubro 2008

As estrelas e o céu

Na semana passada aconteceu o MaxiMídia, em São Paulo. Mais do que as palestras e painéis, o grande assunto foi o choque entre Nizan Guanaes(África) e Fábio Fernandes (F.Nazca S&S). Duas estrelas da maior grandeza da publicidade brasileira. Nizan levou um discurso pronto, Fábio reclamou afirmando que aquele era um espaço para debates e não para discursar. E, para completar, acusou o modelo de negócio de Nizan de ser o grande responsável pelo atual - e lamentável - estágio do mercado publicitário. Fechou o tempo. Para mim, seria mais um conflito entre egos da nossa propaganda, não fosse o texto que acabo de ler. Na sua coluna do AcontecendoAqui, o mestre Eloy Simões - amigo, ex-colega, ex-professor e sempre ídolo - faz o grande alerta. Tanto Nizan quanto Fábio Fernandes são responsáveis pelo atual estágio do negócio publicitário brasileiro. Os dois e mais a brilhante geração de profissionais que surgiram nos anos 80 e tornaram-se donos de agência nos anos 90. Uma geração de ouro, mas que se contentou com o ouro de Cannes. Gênios criativos que mantiveram um mesmo foco: seus umbigos. E não deram quase nenhuma contribuição ao negócio da propaganda. Ganharam fama, fortuna e prestígio enquanto a propaganda brasileira atolava na lama. Comissões de agência divididas com clientes, prospecção aberta em clientes dos outros, clientes infiéis com suas agências, agências traindo seus clientes, e por aí vai. Caiu a ficha, Eloy. Apaixonadas por seus próprios brilhos, as estrelas não percebem que o céu é bem maior - e mais importante - do que elas.

Mínimas palavras

Tem aquele caso, que tantas vezes já contei em sala de aula, do grande escritor que enviou uma longa carta ao seu amigo. Bem lá no final do exaustivo texto, ele escreveu: "Desculpe-me esta longa carta. Se mais tempo eu tivesse, teria escrito menos." Pois é, num texto publicitário é bem assim: escrever, escrever, escrever. E começar a cortar as palavras. Ou, como se diz modernamente, editar o texto. Tirar as gordurinhas, eliminar o supérfluo, deletar. Porém, é sempre bom não esquecer: mínimo de palavras, máximo de emoção e envolvimento. Um texto deve ser como um olhar. Basta uma piscadela na hora certa para dizer tudo. Simples assim.

29 setembro 2008

Propaganda, encanto e vício.

Cheguei agora há pouco da Estácio. Tinha que entrar na net para atualizar meu Curriculo Lates. Pra quem não conhece é um curriculo feito numa plataforma pré-estabelecida, que o professor tem que atualizar de tempos em tempos. Uma coisa chata, muito chata. Atualizei pela metade, não coloquei as bancas de TCC do semestre passado, nem as orientações em andamento neste semestre. Fica pra outra hora. Pois é, já que estava na net, dei uma passada aqui. Ainda estou na pilha da sala de aula. Foi uma boa aula, pelo menos pra mim. Estou rouco (neste final de semana foram 8 gritos de gol, somando Avaí e Inter), meio cansado, mas foi uma aula legal. Era a turma da primeira fase e falamos sobre posicionamento e mais um monte de coisas. Quem me conhece sabe que vivo desviando do assunto e contando um monte de casos e causos. Saio das aulas gostando ainda mais de propaganda. Acabo esquecendo que já tinha enchido o saco e me sinto como um iniciante. Este é o grande poder da propaganda. Quem bebe desta fonte, mesmo apenas molhando os lábios, nunca mais sentirá uma sede comum. A propaganda contamina. Contamina e encanta. Encanta e vicia.

21 agosto 2008

Sobre medalhas

A verdadeira conquista do consumidor não acontece apenas na genialidade de um anúncio, na trilha emocionante de um filme, na entonação mortal de um locutor. A conquista do consumidor, com sua fiel preferência pela nossa marca, se dá pela soma destas e de outras ações estrategicamente pensadas, planejadas e implementadas. Na batalha por corações e mentes vale o conjunto da obra. Assim como não se conquista medalhas de ouro em um mês de Olímpiadas. A verdadeira conquista é feita no dia-a-dia do incentivo ao esporte. Não existem milagres. Nem na publicidade, nem no esporte. O que existe é trabalho, seriedade e investimento. Simples assim.

28 julho 2008

O CONAR me fez pensar

Usando como gancho o post do CONAR e Nova Schin, ali embaixo, lembro que todos os produtos de uma mesma categoria tendem a ser iguais, restando à comunicação tratar menos de seus atributos reais e mais dos emocionais. Ser direto tem seu lugar na propaganda, mas também ser sutil, ambíguo e sedutor. As pessoas querem ser estimuladas e emocionadas. Quando se escolhe uma marca, busca-se mais do que o produto concretamente pode oferecer. Busca-se o sonho, a satisfação de um desejo, aquela conexão emocional que somente as marcas diferenciadas podem oferecer. Simples assim. Ou nem tanto.

Ação do CONAR faz pensar sobre a profissão

Está lá no Acontecendoaqui: o CONAR - Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária mandou tirar do ar a campanha da Nova Schin por causa do conceito que eles estavam veiculando: "leve e gostosa como nenhuma outra". A alegação é de que a frase é subjetiva e induz o consumidor a deduzir que a Nova Schin é mais gostosa do que as concorrentes. Ora, se a gente não puder mais criar frases subjetivas e dar a entender que o nosso produto é melhor do que os concorrentes, só vai nos restar pegar a bola e a boneca e ir brincar em casa. O que faz a propaganda se não frases com duplo sentido, posicionando marcas na mente do consumidor? Não discuto a validade do CONAR, longe disso. Apenas fico preocupado com o rumo que as coisas estão tomando, colocando a propaganda como a mãe de todos os males. Uma notícia que faz pensar. E muito.