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27 agosto 2010

Marcas, candidatos e redes sociais

Em época de campanhas eleitorais, volta com força o assunto Redes Sociais. Todos os candidatos majoritários estão lá, seja em níveis estaduais ou mesmo federal. Blogs, Twitters, Flickrs, Orkuts, Facebooks, Canais no Youtube e redes Nings são as ferramentas preferidas.Alguns utilizam com boas estratégias, usando a linguagem de cada ferramenta. Outros, nem tanto.

Não é de hoje que as redes sociais são apontadas como uma tendência complementar para ações empresariais. Na verdade, uma tendência que se transforma cada vez mais em realidade. O consumidor, ou eleitor, já está lá como prova o Instituto Nielsen, que revelou que 86% dos usuários de internet utilizam as redes sociais.

Hoje em dia, ter um perfil no Twitter, Facebook ou Linkedin já deixou de ser um passatempo. A coisa ficou séria, profissional. Marcas famosas, e outras nem tanto, estão experimentando este relacionamento virtual. As redes sociais aproximam as marcas de seus consumidores, os candidatos de seus eleitores. As redes sociais humanizam a empresa, e deixam os candidatos com jeito e sentimento de pessoas como a gente.

São vias de mão dupla. Se por um lado as pessoas podem falar, opinar, sugerir ou queimar o filme de alguma marca ou candidato, por outro lado estes podem usar as redes sociais como um grande observatório da realidade.As redes assumem a função de ferramentas de consultoria, afinal trazem para a empresa/candidato a opinião sincera das pessoas. E nada melhor do que ouvir o nosso cliente.

As pessoas estão ávidas por relacionamento transparentes, querem opinar, querem e ser ouvidas. Elas querem compartilhar sentimentos e experiências. E as redes sociais entram nessa como uma luva. One-to-one. Cara a cara. Fala que eu te escuto!

Mas a grande questão é: antes de qualquer ação é preciso definir o objetivo. Afinal, o quê se busca? O quê se quer? Qual o resultado pretendido? Pois é, não basta fazer. Tem que planejar. Simples assim.

25 janeiro 2010

O desafio da internet

Não. Este blog não morreu. Apenas resolvi dedicar os dias iniciais do ano a dois projetos diferentes: dez dias de folga total e mais dez dias dedicados ao livro sobre propaganda que estou tentando escrever.

Resultado: hoje já é 25 de janeiro. E este recém é o primeiro post de 2010.

Enquanto isso, na DBS, entramos em 2010 com muito otimismo. Em fevereiro vamos lançar um novo produto da agência: a gestão da comunicação de marcas nas redes sociais. E já começaremos atendendo a duas belas marcas.

Diante dos desafios deste projeto, só posso reconhecer que os dois anos de trabalho na Talk Interactive foram um grande aprendizado.

A internet e suas múltiplas possibilidades tem se mostrado realmente fantástica. Há muito a web deixou de ser um canal elitista, apresentando uma penetração considerável também nas classes C e D. Neste ponto, as lan houses, mal vistas por muita gente, cumprem um importante papel de inclusão digital da população brasileira.

Voltarei a este assunto.

25 agosto 2009

Fala que eu não te escuto

Nos últimos dias, falei sobre política. Não que eu tivesse a intenção de fazer política partidária. Longe disso. O assunto foi mesmo a política nacional porque não deu pra fugir do tema. Só isso.

Mas mesmo falando das lambanças de Brasília, no último post deu pra fazer um pequeno gancho para as empresas que têm medo de entrar nas redes sociais. E o medo é um só: elas temem encontrar consumidores falando mal de suas marcas.

Cá entre nós. Você prefere que falem mal de você pelas costas, sem que você fique sabendo?

“Deixa que digam, o que pensam, o que falam, eu não to fazendo nada... “

Este tipo de raciocínio só dá certo na famosa música do não menos antológico Wilson Simonal. Por falar nisso, você sabia ele se deu mal no mercado fonográfico justamente pelo que começaram a falar dele nos bastidores? Aquela história de dedo-duro da ditadura, má fama que calou sua voz, arrasou sua carreira e que somente agora, há bem pouco tempo, foi devidamente esclarecida. E desmentida. Pena que já era tarde demais.

Então, já que estamos no terreno musical: “é preciso estar atento e forte”.

É preciso estar atento ao que falam sobre a sua marca. É preciso estar atento ao que falam sobre as marcas concorrentes. É preciso estar atento a tudo. E a todos. Assim, a sua imagem estará sempre forte.

E, pelo menos até os próximos 15 minutos, ainda não inventaram nada melhor do que a internet e suas redes sociais para monitorar a voz pública.

Os consumidores estão usando blogs, fóruns, twitter e outras ferramentas para ouvirem a opinião de pessoas que já consumiram determinado produto. Ou já assinaram contratos com determinadas empresas.

É a velha comunicação boca-a-boca, porém com monitoramento e métricas.

E se a empresa contratar alguém especializado em redes sociais poderá, inclusive, entrar naturalmente neste processo de comunicação, procurando – e muitas vezes conseguindo – alterar o rumo da conversa e moldar opiniões.

Mas atenção: no parágrafo anterior está escrito “alguém especializado”. Não basta entregar esta tarefa à filha, namorado da filha ou o estagiário, que vive na internet e tem um blog.

Imagine a cena: um bar lotado e você caminhando entre as mesas. Escutando tudo o que as pessoas conversam. E, de vez em quando, apresentando-se e pedindo para sentar e conversar um pouco.

É mais ou menos assim. Ou nem tanto. Ou nada disso. Depende de você.

22 agosto 2009

Monólogo na Internet


Eu sigo o Senador Mercadante no Twitter. Aliás, eu sigo os senadores mesmo fora do Twitter. Procuro ficar sempre informado sobre o que eles fazem com meu voto.

Ontem, o Senador Mercadante foi ao plenário, fazer um pronunciamento. Estava previsto que abriria mão da liderança do PT no Senado. Pelo menos essa era uma decisão anunciada por ele, antecipadamente, como algo inarredável. Falou bem assim, ou usou outra palavra qualquer para passar um conceito de decisão definitiva.

Mas como diz aquela canção: “o para sempre sempre acaba”. E leu no seu discurso uma tal carta do Presidente Lula a ele endereçada. Aquele tipo de carta que é escrita com um único propósito: que seja lida na frente das câmeras e ao alcance dos microfones.

Em outros tempos, as cartas eram mais pessoais. Em anos passados, as únicas cartas que se tornavam assunto geral eram as do tipo reveladoras, sempre divulgadas no último capítulo das novelas da Janete Clair. Mas isso já é outro assunto.

Vamos nos deter na carta do Lula para o Mercadante. Fui lá no site do Senador ler a tal missiva na íntegra. Encontrei que “estamos juntos há 30 anos travando as lutas que interessam ao povo brasileiro e mudando a história do País”.

E, como resultado das frases tão bem escritas, o Senador Mercadante voltou atrás na sua decisão, antes, definitiva. Resolveu continuar líder do PT no Senado. Em outras palavras, resolveu ficar contra a opinião pública, contra a opinião da militância do PT, contra a ética e a favor de Sarney.

Nesses tempos de Internet 2.0, lá no final da carta estava um link para comentários. Como bom brasileiro, resolvi deixar meu comentário. Como bom redator, resolvi caprichar. Foram poucas palavras, breves linhas. Mas sinceras, muito sinceras e respeitosas.

Meu comentário deve ter ficado à espera do moderador. E deve estar esperando até agora. Há pouco, resolvi conferir no site do Senador. Abaixo do texto da carta presidencial, está lá: 0 comentários.

O companheiro Mercadante censurou minha opinião. Como muitos, ele também não quer ouvir a opinião pública, a não ser que ela, claro, concorde com ele.

É mais ou menos o que acontece com muitas empresas que não querem ficar de fora da onda colaborativa e se aventuram em redes sociais. Porém não querem ouvir críticas. Não estão preparadas para as críticas. Aliás, detestam as críticas.

Esquecem, ou não sabem, que Internet é conversação. É diálogo. É troca de opiniões. E elas nem sempre vem do jeito que a gente espera. Ou que gostaria de ouvir.

Se falam mal da sua marca, ouça as pessoas. Converse com elas. E tire da opinião de seus clientes as soluções e correções para o seu produto.

Simples assim, Senador.

23 maio 2009

Internet, interação e controle social

Hoje participei do EDITED, Encontro de Design e Tecnologia Digital, que aconteceu aqui em Floripa, no Centrosul. A primeira palestra do dia foi feita pelo Frederick van Amstel, um jovem de Curitiba com nome estranho mas um conhecimento profundo em internet e interação. É dele o blog Usabilidoido, muito conhecido no meio da comunicação digital.

Na palestra, Fred analisou a tecnologia como ferramenta de controle social, um controle que não será exercido por um grande irmão (Big Brother da obra 1984, de Orwell) mas sim por milhares de pequenos irmãos que se vigiam mutuamente pelas redes sociais.

O desejo inerente ao ser humano de controlar as relações sociais fez (faz e fará) surgir inúmeras aplicações 2.0 para ampliar ainda mais o poder de ação dos indivíduos.

Nesse cenário, o foco deixa de ser o objeto tecnológico e passa a ser a própria interação entre pessoas, uma interação possibilitada e mediada pela ferramenta.

Assim, tudo é interação social, mas com ela vem o controle. Você tem um celular não porque você deseja, mas porque as demais pessoas com as quais você se relaciona querem.

A interação, seja por meio de um papo no bar ou no Twitter é uma necessidade. Viver é interagir.

E, agora, a minha conclusão: temos que tomar o máximo cuidado para não passarmos de pessoas para simples profiles.