Acho que já escrevi aqui sobre isso: vício. Não aquele vício que abrevia a vida. Falo do vício bom - existem? - aquela prática que se incorpora na vida da gente e não desgruda mais.
Falo do vício dos antigos e saudosos ponteiros do futebol, tipos diferentes, que insistiam em jogar futebol equilibrados em um corredor imaginário de 3 metros de largura, paralelo à linha lateral do campo. Sujeitos obcecados pela linha de fundo e cruzamentos certeiros para centroavantes também viciados. Mas em gols.
Falo do vício do jornalista investigativo, aquele tipo Caco Barcelos. Sujeitinho viciado em descobrir notícias onde as pessoas normais veem nada mais do que a rotina sonolenta da vida.
Falo do vício que tive por longos 30 anos, e que até horas atrás pensava que tinha abandonado. O vício de buscar combinações novas para palavras já desgastadas. O vício de falar com pessoas que não conheço, mas que busco sempre entender seus comportamentos e desejos.
Falo do vício de criar propaganda. De pensar propaganda. De fazer propaganda. De viver propaganda 24 horas por dia. Um vício terrível, daqueles que dão prazer. E uma vez que a gente experimenta, nunca mais se livra.
Sim, é uma recaída.