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08 maio 2008

PRIMEIRA - E ÚNICA - PAGINA DE UM CONTO

Um dia acordei me achando um escritor. Um sujeito daqueles que sentam na frente de um teclado e sabem combinar as letras de maneira a construir uma história envolvente, sedutora, intrigante. Como esta que estava na minha cabeça e não consegui passar para o papel (ou monitor?). Enfim, cometi só esta parte aí embaixo, salvei e esqueci. Será que vale a pena você perder seu tempo lendo?
"Amanhã não vou almoçar em casa. Fico na frente do computador e, de uma vez por todas, começo a escrever a minha história. Minha história de vida e mortes. Será fácil lembrar de tudo. Inclusive como tudo começou. A primeira vez que senti aquele impulso incontrolável. A primeira vez que rasguei um corpo com um corte seco de estilete. A primeira vítima me olhando sem saber quem era eu, e muito menos porque estava abrindo seu peito. Tudo tem uma primeira vez e, invariavelmente, torna-se inesquecível. Relembrar será bom. Melhor ainda se eu me arrependesse de tudo o que fiz. Mas não me arrependo. Minha vida dependia daquelas mortes. Meu futuro começaria no exato momento em que minha décima vitima agonizasse pela última vez. Confesso. Foi uma alegria eliminar meu décimo obstáculo. Não posso esquecer de escrever sobre os jornais e as notícias da época. Bem que tentaram fazer alguma relação entre os crimes, mas foram uns tolos. Nem a policia enxergou o elo entre as mortes. Acho que foram duas em Florianópolis, uma em Joinville, uma em Porto Alegre, uma em Curitiba, uma em Maringá, três em São Paulo e uma em Vitória. Ou foram duas em Vitória? Em todas elas, os jornais mostraram jovens com o peito rasgado. Essa juventude é assim mesmo, adora enfrentar a vida de peito aberto."