Sempre vale falar de sedução. Não aquela sedução do olho no olho, do sorriso contido no canto dos lábios. Falo daquela sedução mais abusada, mas não menos excitante. Falo do poder de sedução da propaganda.
Falo, é claro, da boa propaganda. Aquela que não busca atingir apenas a cabeça e o bolso do consumidor. Mas o coração. Aquela propaganda que não visa apenas o indivíduo-consumidor, mas a pessoa. A propaganda que não busca o puro, e sem graça, convencimento, mas a desafiadora persuasão.
Enquanto o convencimento fala à razão, a persuasão se dirige à emoção. A persuasão constrói um caminho mais excitante desde a mensagem até a ação. Exige mais do criativo. Exige mais talento, mais técnica, exige mais sensibilidade.
Geralmente, os textos mais persuasivos e bem sucedidos levam em conta mais as crenças dos consumidores do que as próprias características do produto. Identificamos os valores, necessidades e desejos do consumidor e os associamos às características do produto.
Quando se fala em sedução do consumidor, muita gente logo pensa em apelo sexual na mensagem. Historicamente, a palavra sedução carrega uma carga mundana, traduzindo uma espécie de feitiço que levava o indivíduo ao pecado. Sedução, para muitos, ainda é sinônimo de algo libidinoso, proibido, profano.
Na publicidade, a sedução carrega objetos de desejo, de felicidade, de bem-estar e de realização. A sedução aparece como um jogo de promessas e realização. A sedução na publicidade é o que fascina. E conquista.
Simples assim. Ou não.