22 agosto 2009

Monólogo na Internet


Eu sigo o Senador Mercadante no Twitter. Aliás, eu sigo os senadores mesmo fora do Twitter. Procuro ficar sempre informado sobre o que eles fazem com meu voto.

Ontem, o Senador Mercadante foi ao plenário, fazer um pronunciamento. Estava previsto que abriria mão da liderança do PT no Senado. Pelo menos essa era uma decisão anunciada por ele, antecipadamente, como algo inarredável. Falou bem assim, ou usou outra palavra qualquer para passar um conceito de decisão definitiva.

Mas como diz aquela canção: “o para sempre sempre acaba”. E leu no seu discurso uma tal carta do Presidente Lula a ele endereçada. Aquele tipo de carta que é escrita com um único propósito: que seja lida na frente das câmeras e ao alcance dos microfones.

Em outros tempos, as cartas eram mais pessoais. Em anos passados, as únicas cartas que se tornavam assunto geral eram as do tipo reveladoras, sempre divulgadas no último capítulo das novelas da Janete Clair. Mas isso já é outro assunto.

Vamos nos deter na carta do Lula para o Mercadante. Fui lá no site do Senador ler a tal missiva na íntegra. Encontrei que “estamos juntos há 30 anos travando as lutas que interessam ao povo brasileiro e mudando a história do País”.

E, como resultado das frases tão bem escritas, o Senador Mercadante voltou atrás na sua decisão, antes, definitiva. Resolveu continuar líder do PT no Senado. Em outras palavras, resolveu ficar contra a opinião pública, contra a opinião da militância do PT, contra a ética e a favor de Sarney.

Nesses tempos de Internet 2.0, lá no final da carta estava um link para comentários. Como bom brasileiro, resolvi deixar meu comentário. Como bom redator, resolvi caprichar. Foram poucas palavras, breves linhas. Mas sinceras, muito sinceras e respeitosas.

Meu comentário deve ter ficado à espera do moderador. E deve estar esperando até agora. Há pouco, resolvi conferir no site do Senador. Abaixo do texto da carta presidencial, está lá: 0 comentários.

O companheiro Mercadante censurou minha opinião. Como muitos, ele também não quer ouvir a opinião pública, a não ser que ela, claro, concorde com ele.

É mais ou menos o que acontece com muitas empresas que não querem ficar de fora da onda colaborativa e se aventuram em redes sociais. Porém não querem ouvir críticas. Não estão preparadas para as críticas. Aliás, detestam as críticas.

Esquecem, ou não sabem, que Internet é conversação. É diálogo. É troca de opiniões. E elas nem sempre vem do jeito que a gente espera. Ou que gostaria de ouvir.

Se falam mal da sua marca, ouça as pessoas. Converse com elas. E tire da opinião de seus clientes as soluções e correções para o seu produto.

Simples assim, Senador.

4 comentários:

Xico disse...

Vergonha meu caro...deve ser isso que ocupa a mente dele. Eu respondi a ele no twitter e não recebi nenhum retorno também. Concordo contigo e com tua reação. É a mesma minha.

Vinicius Amaral disse...

Fala Palermo,

Belo texto, parabéns professor.
Quando eu achei ia acontecer algo bom na nossa política, uma atitude de alguém digno, acontece isso, o que esperar agora?

Abraço

geisi disse...

Mandou bem Palermo!!

Fernando Palermo disse...

É isso, Xico. A palavra é essa: vergonha!
Vinicius, sabe-se lá o que esperar. OU melhor, sabe-se sim: vem aí 2010 com suas eleições. A bola está com a gente.
Geisi, honrado pela presença.