17 dezembro 2008

Um texto do divertido Lula Vieira

Você conhece Lula Vieira? Já ouviu falar dele? Já leu alguma crônica dele? Já leu algum anúncio dele?
Pois é, Lula Vieira é um publicitário das antigas, mas sempre atual, lá do Rio. Um cara genial e muito engraçado.
Acabo de receber este texto por e-mail - a Sonia Brandalise, da agência Brandalise me mandou. Pode não ser um texto recente, mas é muito bom. Vale a pena continuar neste post por mais alguns minutos. Eu gostei. Tomara que vc também goste. Confira:

"Não me lembro direito, mas li numa revista, acho que na Carta Capital, um artigo levantando a hipótese de que todo o cara que tem mania de fazer aspas com os dedinhos quando faz uma ironia é um chato.
Num outro artigo alguém escreveu que achava que jamais tinha conhecido um restaurante de boa comida com garçons vestidos de coletinho vermelho.
Joaquim Ferreira dos Santos, em 'O Globo' de domingo, fala do seu profundo preconceito com quem usa 'agregar valor'.
Eu posso jurar que toda mulher que anda permanentemente com uma garrafinha de água e fica bebendo de segundo em segundo é uma chata. São preconceitos, eu sei. Mas cada vez mais a vida está confirmando estas conclusões.
Um outro amigo meu jura que um dos maiores indícios de babaquice é usar o paletó nos ombros, sem os braços nas mangas. Por incrível que pareça, não consegui desmentir. Pode ser coincidência, mas até agora todo cara que eu me lembro de ter visto usando o paletó colocado sobre os ombros é muito babaca.
Já que estamos nessa onda, me responda uma coisa: você conhece algum natureba radical que tenha conversa agradável? O sujeito ou sujeita que adora uma granola, só come coisas orgânicas, faz cara de nojo à simples menção da palavra 'carne', fica falando o tempo todo em vida saudável é seu ideal como companhia numa madrugada? Sei lá, não sei. Não consigo me lembrar de ninguém assim que tenha me despertado muita paixão.
Eu ando detestando certos vícios de linguagem, do tipo 'chegar junto', 'superar limites', 'focar' essas bobagens que lembram papo de concorrente a big brother.
Mais uma vez, repito: acho puro preconceito, idiossincrasia, mas essa rotulagem imediata é uma mania que a gente vai adquirindo pela vida e que pode explicar algumas antipatias gratuitas.
Tem gente que a gente não gosta logo de saída, sem saber direito por quê. Vai ver que transmite algum sintoma de chatice. Tom de voz de operador de telemarketing lendo o script na tela do computador, repetindo a cada cinco palavras a expressão 'senhoooorrr' e dizendo que 'vou estar anotando'e 'vamos estar providenciando' me irrita profundamente.
Se algum dia eu matar alguém, existe imensa possibilidade de ser um flanelinha.. Não posso ver um deles que o sangue sobe à cabeça. Deus que me perdoe, me livre e me guarde, mas tenho raiva menor do assaltante do que do cara que fica na frente do meu carro fazendo gestos desesperados tentando me ajudar em alguma manobra, como se tivesse comprado a rua e tivesse todo o direito de me cobrar pela vaga.
Sei que estou ficando velho e ranzinza, mas o que se há de fazer? Não suporto especialista em motivação de pessoal que obrigue as pessoas a pagarem o mico de ficar segurando na mão do vizinho, com os olhos fechados e tentando receber 'energia positiva'.
Aliás, tenho convicção de que empresa que paga bons salários e tem uma boa e honesta política de pessoal não precisa contratar palestras de motivação para seus empregados. Eles se motivam com a grana no fim do mês e com a satisfação de trabalhar numa boa empresa. Que me perdoem todos os palestrantes que estão ficando ricos percorrendo o país, mas eu acho que esse negócio de trocar fluidos me lembra putaria.
E para terminar: existe qualquer esperança de encontrar vida inteligente numa criatura que se despede mandando 'um beijo no coração'?

8 comentários:

adtudo disse...

Pô Palermo, grande texto... um beijo no coração! huahauhauhauhau... abrs

Dany Maya disse...

Creeeeeedo! Esse cara é um mal amado, isso sim! O texto é hilário, sem dúvida, mas como diz o Diego, ô coraçãozinho podre hein???

Enfim... Acho que dá pra ser engraçado sem essa revolta no coração....rsrsrs

Fernando Palermo disse...

Esqueci de colocar o título do texto: Mau Humor. :)

Kelly Veiga disse...

Belo post prof!

Aproveitar pra deixar um Feliz Natal e Ano Novo!

A gente se encontra no próximo ano, não nos corredores da Estácio, mas pelas esquinas da vida. hauhuah (prondundo, não?!).

Beijo no coração Prof!

hushausa

Caroline Rodrigues disse...

Falando de pessoas que etiquetamos, eu nunca conheci um resmungão que fosse feliz. Assim, como esse do texto. Pessoas que preferem observar os outros em vez de viverem suas vidas, são na verdade pessoas sem um vida. Por isso veem mal em tudo e em todos. Acho que a grande sacada da vida é a diferença, é poder sentar do lado de um plebeu e de um rei e aprender com os dois...todos temos o que apreender e ensinar, basta estarmos abertos para isso...
Um feliz Natal e um bom 2009 professor...

Caroline Rodrigues disse...

Palermo, postei um texto do Rudyard Kipling no meu blog, da uma olhada acho que vc vai gostar.

Carmen disse...

Até acho que esse acara pode ser mal humorado, mas cá entre nós quem de nós já não fez esses tipos de comentários. E vamos combinar, é um saco esses flanelinhas e os naturebas então... Pelo amorrrrrrrrrrrrrrrr de Deus...rsrs

Beijos meu amigo, um Feliz Natal e um Ano cheio de Paz prá voce e sua família.

Polêmica disse...

Esses preconceitos acredito que todo mundo tem, não precisa ser necessáriamente os que foram citados no texto. Eu posso estar errada mas, eu acho que preconceitos todo mundo tem sim. Muita gente me diz que antes de me conhecer pensava que eu era chata, ou seja, quase todo mundo já me rotulava antes de me conhecer!

Beijão!